A cáscara-sagrada é a casca de uma árvore nativa da costa oeste da América do Norte, usada há séculos pelos povos indígenas da região e, depois, pela medicina ocidental como um dos laxantes naturais mais conhecidos. O nome vem do espanhol e significa “casca sagrada”.

Ficha da planta

  • Nome científico: Rhamnus purshiana D.C. (também classificada como Frangula purshiana).
  • Nomes populares: cáscara-sagrada; sacred bark (inglês); cascara sagrada (espanhol, francês e italiano); amerikanischer Faulbaum (alemão).
  • Família: Rhamnaceae.
  • Parte utilizada: casca.
  • Composição química: heterosídeos antraquinônicos, principalmente os cascarosídeos A, B, C e D, além de aloína, barbaloína, aloe-emodina e emodina. O extrato costuma ser padronizado em 1% de cascarosídeos.

Como a cáscara-sagrada age

As antraquinonas da casca chegam intactas ao intestino grosso, onde são transformadas pelas bactérias da flora intestinal. Ali, estimulam os movimentos do intestino (o peristaltismo) e aumentam a quantidade de água nas fezes. Por isso, é um laxante estimulante: o efeito costuma aparecer de 6 a 12 horas depois, e por isso ela é geralmente tomada à noite.

Um detalhe importante: a casca precisa envelhecer pelo menos um ano (ou ser tratada pelo calor) antes do uso. A casca fresca é muito irritante e provoca cólicas fortes, vômitos e diarreia.

Para que é usada

  • Prisão de ventre ocasional: é a principal indicação, por curtos períodos.
  • Na tradição, também foi usada como tônico digestivo, estimulante do fígado e da vesícula (colagoga) e diurética.

Se o intestino preso é frequente, vale olhar a causa: alimentação, água, movimento e emoções. Veja também o post Prisão de ventre: pontos de acupuntura que ajudam.

Formas de uso e doses de referência

As doses abaixo são as descritas no Formulário Médico-Farmacêutico (Batistuzzo e colaboradores). Use apenas com orientação de um profissional de saúde, sempre pelo menor tempo possível:

  • Extrato seco: 100 a 500 mg, duas vezes ao dia, ou em dose única ao deitar.
  • Casca seca (rasura), em decocção: 1 g (1 colher de sobremesa rasa), até 3 vezes ao dia.
  • Pó: 500 mg a 2 g ao dia.
  • Tintura: 10 ml ao dia, divididos em 2 doses diluídas em água.
  • Tintura-mãe: 25 a 50 gotas, uma vez ao dia.

Contraindicações

  • Gravidez: os derivados antracênicos podem estimular o útero e provocar aborto.
  • Amamentação: os princípios ativos passam para o leite e podem causar diarreia no bebê.
  • Crianças menores de 6 anos.
  • Durante a menstruação.
  • Doenças inflamatórias do intestino (como colite e doença de Crohn), obstrução intestinal, apendicite, diverticulite, úlcera de estômago ou duodeno, refluxo e dor abdominal sem causa conhecida.
  • Hemorroidas, cistite e inflamações do útero.
  • Insuficiência do fígado, dos rins ou do coração.

Cuidados e interações

  • Não use por mais de 1 a 2 semanas seguidas. O uso prolongado pode deixar o intestino “preguiçoso” e dependente do laxante.
  • O uso contínuo também faz perder potássio, o que causa fraqueza muscular e pode afetar o coração.
  • Por isso, não combine com remédios para o coração (cardiotônicos, como a digoxina), diuréticos ou corticoides sem orientação médica.
  • Pode deixar a urina avermelhada ou amarronzada; isso não é perigoso.
  • Nos Estados Unidos, a cáscara-sagrada deixou de ser vendida como laxante de farmácia em 2002, por falta de estudos de segurança para uso prolongado. Isso reforça o cuidado: é uma planta para uso curto e orientado.

Referências

  • BATISTUZZO, J. A. O.; ITAYA, M.; ETO, Y. Formulário Médico-Farmacêutico. 3. ed. São Paulo: Pharmabooks, 2006.
  • Fitoterapia: Vademécum de Prescripción. Plantas medicinales. 3. ed. 1999.

Este texto é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde.

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Prof MSc Elias José da Silva

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