
Nome científico: Hibiscus sabdariffa D.C.
Sinonímia científica: Abelmoschus cruentus; Furcaria sabdariffa; Hibiscus palmatilobus; Sabdariffa rubra.
Nome popular: Hibiscus, hibisco, pampola, pampulha, papoula, vinagreira, azadinha.
Família: Malvaceae.
Parte Utilizada: Flor.
Composição Química: Ácidos orgânicos (ácido tartárico, ácido cítrico, ácido málico e ácido hibístico); pigmentos; vitamina C; glucosídeos; mucilagens; flavonoides (hibiscina, hibiscetina entre outros); antocianinas.
Formula molecular: N/A
Peso molecular: N/A
CAS: N/A
DCB: N/A
DCI: N/A
Trata-se de um subarbusto, ereto, de caule arroxeado, de 80-140 cm de altura, nativa da África. Folhas alternas, verde-arroxeadas, longo-pecioladas, inteiras na base da planta e 3 ou 4 lobadas no ápice, com margens denteadas, de 5-12 cm de comprimento. Flores solitárias, axilares de coloração amarela. Os frutos são cápsulas revestidas por pelos híspidos. Foi introduzida na Europa no final do século passado, mas não foi bem aceita inicialmente devido à sua forte coloração avermelhada. Atualmente, está presente na formulação da maioria dos chás aromáticos consumidos no continente europeu.
Indicações e Ação Farmacológica
A espécie possui propriedades anti-inflamatórias e demulcentes (protege as membranas mucosas e alivia as irritações) úteis em casos de constipação e irritação das vias respiratórias. Tem ação antiespasmódica, diurética, digestiva, laxante suave, corante e aromatizante. Atenua espasmo e cólicas uterinas e gastrointestinais; aumenta a diurese e favorece a digestão lenta e difícil. Possui ainda propriedade anti-hipertensiva e calmante. Além disso, as antocianidinas desta espécie apresentaram efeito vasodilatador periférico e angioprotetor. Investigando este potencial regulador da pressão arterial, diversos mecanismos farmacológicos e complementares foram observados a partir do uso com a espécie botânica Hibiscus sabdariffa D. C. Dentre estes mecanismos, os autores ressaltam a redução da viscosidade sanguínea – derivada da inativação de uma fração da enzima ciclo-oxigenase/prostaglandina-endoperóxido sintase (HOPKINS, A. L. el al. 2013; CHRISTIAN, K. R. et al. 2006); vasodilatação – decorrente do relaxamento do endotélio vascular, via diminuição do influxo dos cátions cálcio, Ca++ (AJAY, M. et al. 2007); e por último, diminuição da atividade enzimática da ECA – enzima conversora de angiotensina (OJEDA, D. et al. 2010). Tais mecanismos se mostraram particularmente interessantes por contribuírem terapeuticamente com um dos aspectos relacionados à síndrome metabólica e obesidade, que é a elevação da pressão arterial e consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares deletérios: Infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), claudicação intermitente, angina de peito, insuficiência renal crônica, etc. A infusão do cálice e brácteas das flores é ainda usada para problemas digestivoestomacais, como refrescante intestinal, diurético e protetor de mucosas (bucal, bronquial e pulmonar).
Toxicidade/Contraindicações
Portadores de doenças cardíacas graves devem limitar o consumo, devido à eliminação de eletrólitos que pode ocorrer com seu uso. Não é recomendado seu uso, sem orientação médica, durante a gravidez e lactação, pois foi identificada certa ação mutagênica em estudos preliminares. Não há relatos de efeitos colaterais na literatura consultada.
Dosagem e Modo de Usar
Infusão: Uma colher de sobremesa por xícara. 3 a 4 xícaras ao dia.
Extrato seco: 100 a 400 mg, uma a três vezes ao dia, antes das principais refeições.
Extrato seco solúvel: dissolver até 6g (1colher sobremesa) em 200 mL de água.
Pó: 100 a 600 mg, uma a três vezes ao dia, antes das principais refeições.
Referências Bibliográficas
AJAY, M. et al. Mechanisms of the anti-hypertensive effect of Hibiscus sabdariffa L. calyces, Journal of Ethnopharmacology 109, pp. 388–393, (2007).
ALONSO, J. Tratado de Fitofármaco y Nutracéuticos. Editora Corpus: Argentina, 1ªEd., (2004). ÁVILA, L. C. Índice terapêutico fitoterápico – ITF. 2 ed. Petrópolis, RJ, (2013).
CHRISTIAN, K. R. et al. Antioxidant and cyclooxygenase inhibitory activity of sorrel (Hibiscus sabdariffa), Journal of Food Composition and Analysis 19, pp. 778–783, (2006).
CRUZ, M. G. F. de La. O uso de óleos essenciais na terapêutica, (2006).
HOPKINS, A. L. el al. Hibiscus sabdariffa L. in the treatment of hypertension and hyperlipidemia: A comprehensive review of animal and human studies, Fitoterapia 85, pp. 84–94, (2013).
LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas Medicinais no Brasil. Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda: Nova Odessa – SP, (2002).
OJEDA, D. et al. Inhibition of angiotensin convertin enzyme (ACE) activity by the anthocyanins delphinidin- and cyanidin-3-O-sambubiosides from Hibiscus sabdariffa, Journal of Ethnopharmacology 127, pp. 7–10, (2010). TESKE, M.; TRENTINI, A. M.M. Herbarium compêndio de fitoterapia. 3 ed. Curitiba, (1997).